Me enganei já com algumas pessoas, mas a porcentagem daquelas que fizeram-me mais bem do que mal é infinitamente maior. Algumas pessoas a simpatia é imediata, outras vão ganhando-me devagarinho, com seus exemplos, suas maneiras, suas palavras... Foi assim com Maria Clara Fernandes. Nossas conversa em torno dos livros de Mia Couto, escritor moçambicano, foi nosso ponto de partida, mas desde o início percebi como alguém pode ser tão doce e ao mesmo tempo tão combativa, séria no seu posicionamento sobre certas questões da sociedade que nos incomodam igual pedra no sapato.
Não surpreende-me os elogios das turmas em que ela leciona Psicologia, nos conselhos de classe. São mais que merecidos. São frutos carnudos e suculentos colhidos de uma árvore generosa como um baobá africano que pelo seu tamanho até permite que morem dentro dele.
A você Maria Clara Fernandes, meu muito obrigada pela generosidade de abrilhantar minha passagem temporária nesta vida, com sua suave, porém, marcante presença...
Elineide Melo
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| Maria Clara Fernandes professora de Psicologia da ETE JK. |
No calor
do debate sobre o racismo e os programas sociais do governo como o "bolsa
família" em tempos de eleição, o livro/peça teatral "Namíbia,
não!" aparece como uma contribuição importante para pensarmos.
Ele mostra que as vozes do passado têm muito a dizer do que temos feito do presente e, principalmente, o que temos construído de futuro. A passagem de navio à boeing negreiro nos avisa que a democracia tem seus jogos: está tudo dentro da lei. Mais do que coerção, temos produções de subjetividade que fazem com que os de "melanina acentuadas" (como o autor critica os eufemismos) de fato se conduzam para a lógica de que a medida provisória instaurada pelo governo brasileiro é para o seu bem. O "boeing negreiro" está aí, mostrando que o projeto nazi-fascista continua entre nós nos estádios de futebol, nas Cláudias, nos Amarildos, na seletividade penal, e, principalmente, em nós.
"Estamos em pleno m(ar)" como diria Castro Alves.
Ele mostra que as vozes do passado têm muito a dizer do que temos feito do presente e, principalmente, o que temos construído de futuro. A passagem de navio à boeing negreiro nos avisa que a democracia tem seus jogos: está tudo dentro da lei. Mais do que coerção, temos produções de subjetividade que fazem com que os de "melanina acentuadas" (como o autor critica os eufemismos) de fato se conduzam para a lógica de que a medida provisória instaurada pelo governo brasileiro é para o seu bem. O "boeing negreiro" está aí, mostrando que o projeto nazi-fascista continua entre nós nos estádios de futebol, nas Cláudias, nos Amarildos, na seletividade penal, e, principalmente, em nós.
"Estamos em pleno m(ar)" como diria Castro Alves.
Maria Clara Fernandes


Um comentário:
Elineide,
Obrigada pelo carinho, pela mensagem linda de sabor de todas essas Áfricas que temos a oportunidade maravilhosa de conhecer com você. E eu lhe sou muito grata por isso.
Vida longa a este trabalho lindo que você faz, vida longa a nossa parceria!!!
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