sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Confrontar o racismo até a exaustão, patrão


Seria por causa disso um dos motivos para  o título do livro Namíbia, não?





LEMBRETE:  Na Globo News, dia 23 de agosto às 21:00 horas Documentário sobre                                         Namíbia. Não Percam!


Grito Negro

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.

Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.

Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.

Eu sou carvão
tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.

Sim!


Eu sou o teu carvão, patrão.

josé craveirinha.jpg 
José Craveirinha (1922-2003), poeta moçambicano, recebeu o Prêmio Pessoa em 1991.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Oficina Virtual de Literatura Africana

  Laíza Verçosa cursa Letras na UFRJ e é estagiária na ETE Juscelino Kubitschek em jardim América



  












         Acabo de concluir a leitura do texto dramático de Aldri Anunciação, "Namíbia, não!"

     O autor baiano escreveu o livro entre 2008 e 2009, mas foi em 2011 que ele foi finalmente encenado, com direção de Lázaro Ramos.

     Em uma manhã de 2016, uma medida provisória do governo brasileiro determina que todo cidadão de "melanina acentuada" deverá ser capturado e enviado de volta a um país da África, como forma de reparação social.

       Tudo acontece em um ato e treze cenas dentro de um apartamento em que dois primos se mantém "seguros", refletindo sobre o retorno compulsório. Além de suscitar reflexões sobre a questão da identidade negra brasileira, dos "pardos (?)", das políticas afirmativas no país, Aldri toca ainda em pontos críticos da política internacional em relação às conquistas e problemas persistentes no continente africano. Tudo isso sem deixar de lado os dramas pessoais resultantes da nossa cruel (ou esquizofrênica?) conjuntura social, por sua vez, resultante de séculos de exploração.


       Recomendo.

               
Foto: Acabo de concluir a leitura do texto dramático de Aldri Anunciação, "Namíbia, não!"
O autor baiano escreveu o livro entre 2008 e 2009, mas foi em 2011 que ele foi finalmente encenado, com direção de Lázaro Ramos. 
Em uma manhã de 2016, uma medida provisória do governo brasileiro determina que todo cidadão de "melanina acentuada" deverá ser capturado e enviado de volta a um país da África, como forma de reparação social.
Tudo acontece em um ato e treze cenas dentro de um apartamento em que dois primos se mantém "seguros", refletindo sobre o retorno compulsório. Além de suscitar reflexões sobre a questão da identidade negra brasileira, dos "pardos (?)", das políticas  afirmativas no país, Aldri toca ainda em pontos críticos da política internacional em relação às conquistas e problemas persistentes no continente africano. Tudo isso sem deixar de lado os dramas pessoais resultantes da nossa cruel (ou esquizofrênica?) conjuntura social, por sua vez, resultante de séculos de exploração. 
Recomendo.
  


     É desta maneira que resolvi apresentar nossa Oficina Virtual de Literatura Africana a todos que já estão inseridos na mesma ou que desejam juntar-se a nós, com a simpatia do comentário desta menina de ouro que é minha fiel escudeira e estagiária, Laíza Verçosa.
 Desde Julho já estamos lendo o livro. Para participar basta adquirir o livro conosco, e através de email e facebook  e este blog (portanto é bom ser seguidor) para que fique por dentro do que vai acontecendo em relação à oficina. 
      Maiores informações pelo email elineide.educacaodigitaljk@gmail.com 
     Para aguçar vossa curiosidade sobre o livro e a peça, seguem dois vídeos.
     Abraços.
      Elineide Melo.




  






 






  Família que lê unida, permanece unida: Luís Rafael, Elineide Melo e Josieli Maria em momento único.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Como tratar algo que aos olhos de alguns é invisível?


     Quando comecei a especialização em Literatura Portuguesa na UFRJ em 2001, não tinha noção de como minha vida mudaria em alguns aspectos. Eu que começava o curso idolatrando a pátria de Camões, tendo morado em Portugal do final de 82, ao início de 84, ainda encontrava-me sobejada dos poemas de Florbela Espanca. Frequentava as comunidades das casas regionais portuguesas de todo o Rio de Janeiro como se portuguesa fosse.
       Quando os primeiros textos e autores dos países lusófonos africanos chegaram as minhas mãos, foi como se as grandes navegações recomeçassem e eu "redescobrisse" o continente africano. Porém, bem diferente dos navegadores que andaram por aquele continente fizeram, a catequizada e colonizada fui eu, pela beleza da cultura e das letras africanas.
          Não foi difícil em pouquíssimo tempo estar com outra visão sobre tudo que havia aprendido sobre racismo, negritude, preconceito étnico e outras mazelas que todo cidadão de melanina acentuada que chegou nesta terra como escravo e seus descendentes sofrem até hoje. Tornei-me militante sem sentir e galgando cada vez mais conhecimentos sobre o tema através nos NEERAs, NEABEs CEAPs, Cor da Cultura e tantas outras capacitações que me fizeram mais humana, vou repassando ou ao menos chamando para a reflexão sobre o tema.
     O livro abaixo foi uma descoberta dessas minhas andanças. Achei-o interessante e trouxe para sala de aula para compartilhar seu conteúdo com os alunos. 
        Após uma breve introdução do autor e pequena biografia sobre o mesmo, começam os comentários de trechos trabalhados com os alunos sobre cotas para negros nas universidades.
     Para quem interessar, que lhes seja útil.
     Abraços.
     Elineide Melo.
Esta delicada mão que segura o livro é da minha grande colaboradora  para assuntos e trabalhos diversos na Sala de Literatura,Isa Marques que também digitou o trecho a seguir, do próprio livro.


                 Todo mundo costuma negar a existência do racismo e do preconceito racial na sociedade. Porém, alguns dados apresentados neste trabalho questionem esse mito, suscitando urgentes medidas compensatórias para a população negra nacional, as chamadas ações afirmativas, capazes de irem implantando a Justiça Social em nosso meio. Do contrário, restará uma constatação: da senzala ao elevador de serviço!
                A desigualdade econômica entre a população negra e a branca é imensa , chega a ser gritante, de acordo com os indicadores oficiais. Portanto, o que as políticas públicas compensatórias , mediante as ações afirmativas - muitas delas previstas no "Estatuto da Igualdade Racial" - precisarão promover será o crescimento significativo da qualidade de vida dos negros. Tal fato poderá contribuir para maior participação deste segmento demográfico na vida econômica do país, sem que isso signifique retirar algo da população branca, antes de demonstrar na prática que uma economia solidificada precisa contar com a participação e benefício de todos e todas.
            " Da senzala ao elevador de serviço" - Onde estão os negros , pós-abolicionismo no Brasil? 
     (Justiça social e igualdade racial: um estudo sobre ações afirmativas para o Brasil e em Queimados, RJ/Ozias Inocêncio. - Rio de Janeiro: Letra Capital, 2011.)
              

              Ozias Inocêncio: Graduado em Direito - UGF; Pós-graduado em Políticas de Segurança Pública e Justiça Criminal (UFF); Professor de Direito e Legislação; Juiz de Paz - Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.